Propostas do Bloco Classista, Anticapitalista e de Base para a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, dia 28 e 29 de setembro no Rio de Janeiro.

Brasil não é mais o mesmo: um plano de lutas para o próximo período

O Brasil não é mais o mesmo. As mobilizações de junho e julho mudaram o cenário das lutas no país as colocando em outro patamar, mesmo que nesses últimos meses essas mobilizações tenham arrefecido, isso não significa que se retomou o patamar anterior aos meses citados e sim que a qualquer momento, havendo um estopim como o aumento das passagens desse ano, os ativistas que foram linha de frente naquele período encontrarão o caminho para a retomada das lutas.  

O governo que gozava de seus mais de 70% de aprovação, antes das manifestações, até o momento não conseguiu retomar o mesmo patamar, de popularidade, agora somando somente 38,1% (índice apontado pela pesquisa CNT, divulgada no dia 10/09). Mas esse elemento sempre se demonstrou totalmente secundário, tanto que os mais de 70% de aprovação não impediu que a juventude e os trabalhadores fizessem greves e mobilizações.

Enquanto as lutas da juventude saíram de pauta, o governo que havia prometido uma série de melhorias com um “pacto” nos setores de saúde, educação, transporte, etc como medidas para estancar as lutas em curso, mas nada foi feito concretamente, ao contrário os ataques seguiram principalmente com a continuidade do projeto neoliberal do governo de entregar as riquezas de nosso país e atacar os direitos dos trabalhadores principalmente com o leilão do campos de libras, e o PL 4330.  

As centrais sindicais governistas de todas as matizes desde CUT, Força, NCST, UGT, etc, diante de toda essa conjuntura, de mais ataques, e principalmente, mais lutas contra as intransigências dos governos e dos patrões, ficaram pressionadas por suas bases e para não perder influência foram obrigadas a responderem ao anseio da mobilizações de massas, assim se viram obrigadas a participar dos dias nacionais de luta, mesmo que muito mais por formalidade do que de fato, inclusive as vezes utilizando uma retórica mais radicalizada com o governo como ocorreu com a Força Sindical que fez diversas críticas e exigências ao governo Dilma. Mas suas intenções, como correntes que têm o compromisso com o governo e o capital, foram sempre canalizar as mobilizações para seus interesse sejam eles eleitoreiros ou de defesa de seus candidatos sendo o exemplo claro quando a CUT/MST/UNE/UBES mobilizando para pressionar por uma reforma política.

Os dois nacionais de luta, 11 de julho e 30 de agosto, assim como as greves em curso nesse semestre, demonstram que os trabalhadores estão dispostos à lutar com mais intensidade e de forma frontal contra os ataques dos governos e patrões. Tanto que em algumas cidades houve adesão maciça ao dia de luta, onde se destacou Porto Alegre onde houve verdadeiro dia de greve geral em ambas as datas.

Tudo isso demonstra que poderíamos ter sido mais ousados, propondo ao conjunto do movimento uma verdadeira Greve Geral e essa necessidade continua latente sendo, a intervenção da CSP-Conlutas deve estar à esse serviço.

Assim propomos:

– Agitação massiva, com material próprio da CSP-Conlutas, a exemplo do que ocorreu no dia 30 de agosto, com uma tiragem de 1 milhão de panfletos, denunciando o governo Dilma e seus ataques, assim  como os demais governos, que mesmo com todas as manifestações que seguem com total descaso com a população.  Esse manterial deve debater o sistema economico capitalista e sua lógica que só retira direitos, trazendo miséria e fome para a população.  Denunciando também o  papel que as centrais sindicais governistas CUT/Força/NCST/UGT etc, cumprem ao movimento por não preparar a luta contra os ataques dos governo e patrões.

– Campanha contra as privatizações de Dilma. Denunciando frontalmente seus ataques visto que sua intenção é arrecar mais de 30 bilhões de reais com a entrega de portos, aroportos e campos de petróleo, sendo que espera arrecadar 13 bilhões com os aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG), e entre 17 bilhões e 15 bilhões de reais com a entrega do poco de Libra na Bacia de Santos. Esse montante servirá para atingir as metas de superávit primário, ou seja, entregue para os banqueiros.

– As greves dos pesos pesados da classe trabalhadora já estão em curso. Assim Correios, bancários e petroleiros na reta final das campanhas salariais . As vitórias constituídas na unificação das greves de metalúrgicos de São Paulo mostram o caminho. E há uma infinidade de greves pulverizadas pelos estados. A garantia de cada categoria sair vitoriosa e avançar com a pauta geral da população, aumentando sua concientização, é buscar a unificação de cada uma das lutas em curso.

Imperialismo Norte-americano desrespeita soberania nacional com espionagem

Há um consenso generalizado de que não há uma real soberania nacional, nem política, econômica e esse conceito ficou ainda mais fortalecido após as informações obtidas a partir das declarações de Edward Snowden e do  Wikileaks de Julian Assenge. Dentre diversas informações, como por exemplo de que o governo dos EUA estava intervindo diretamente no golpe de 64, recentes notícias demonstram que a NSA (agência de segurança nacional) obtinha, a partir de meio ilegais, informações privilegiadas da Petrobrás e do governo.

Essa realidade é possível graças a todo o sistema de telecomunicações e de internet que é totalmente entregue aos interesses estrangeiros. Dilma por sua vez, apesar de fazer um verdadeiro jogo de cena, o máximo que faz é ameaçar não ir aos EUA para evitar conversar com Obama.

Assim a CSP-Conlutas deve incorporar em suas agitações a denúncia do ataque à soberania de nosso país, que acaba afetando também as organizações dos trabalhadores. Assim como a omissão de Dilma por não tomar medidas enérgicas e concretas contra o governo norte-americano.

Apesar dessas questões beneficiarem a priori o próprio governo, a intervenção de Obama afeta os direitos individuais da população brasileira e mundial, assim como as organizações dos trabalhadores.

 Dilma deve criar um plano para evitar esses ataques que incluem a nacionalização, sem indenização, da telefonia, a criação de um sistema de rede de computadores próprios, etc.

Guerra Civil na Síria

O processo de luta na Síria, que possui caráter claramente revolucionário, apesar de tomar contornos de guerra civil, se tornou o processo mais longo, desgastante e sanguinário de todas as lutas da região, já somando mais de 110 mil mortos e mais de 2 milhões de pessoas. O lançamento das armas químicas escancarou ainda mais o caráter genocida do governo de Bashar Al Assad, demonstrando que não há destino possível para os trabalhadores sírios por dentro do regime atual.

Mas apesar dos trabalhadores no mundo todo se revoltarem com a situação que a população síria está submetida, o imperialismo norte-americano, conjuntamente com a Rússia, leal aliada de Assad, defende o regime sírio ferozmente, quando diz que os problemas acabam quando o o regime entregar todas as armas químicas.

A posição de Secretário Geral da ONU Ban Ki-Moon, é igualmente pro-Assad, quando declara que solicita aos países para parar de fornecer armamentos para ambos os lados, enquanto o regime não demonstra mover uma palha para abandonar seus arsenais.

E declara que “A militar é uma ilusão. A única resposta é um acordo político”, essa posição tem o mesmo sentido da posição de EUA e Rússia, de manter o governo, mesmo após o banho de sangue promovido pelo ditador Assad.

A posição de nosso governo é uma “neutralidade” que só favorece o lado do mais forte, ou seja, o governo atual.

Diante de tudo isso a CSP-Conlutas deve buscar organizar uma campanha em conjunto com diversos setores de solidariedade ativa com os trabalhadores remetendo dinheiro, medicamentos, alimentos.

Além de começar com uma campanha agitativa contra a complacência de Dilma exigindo que rompa relações econômicas e diplomáticas com o governo Sírio imediatamente.

Bloco de Lutas Pelo Transporte Público – Porto Alegre

Em diversas capitais do país, durante as manifestações de junho e julho, setores da juventude se uniram com a intenção organizar as lutas que estavam na ordem do dia. Em Porto Alegre, se constitui nos últimos 2 anos o chamado Bloco de Luta Pelo Transporte Público, unificando setores do MRS, PSTU, Psol, anarquistas e PT. A dinâmica da luta fez com que aquela ajuntamento de grupos, que se constituía como uma unidade de ação, passasse a ser uma frente única clássica, com organismos regulares, um programa, mesmo que muito incipiente. Com essa organização foi possível 2 rebaixamentos nos valores das passagens, além de pressionar o governo estadual de Tarso Genro apresentar um projeto de passe-livre estadual que tramita na Assembleia Legislativa estadual. Mas principalmente se tornando a referência de luta no estado, servindo de aglutinador de lutadores e inclusive intervindo em outros processos de luta como a greve dos professores estaduais, lutas populares, e nos dias 11 de julho e 30 de agosto.

Mas a dinâmica enérgica de junho e julho foram arrefecidas mas por elementos ligados ao PT conscientemente trabalharam para isso, tirando o Bloco de Lutas das ruas, fazendo reuniões intermináveis e marcando atividades internas. Além dos aspectos organizativos, tratavam de blindar Dilma e Tarso, ambos do PT, baseando a luta somente em Fortunatti, prefeito de Porto Alegre.

Os recentes acontecimentos resolveram todos esses problemas. Após o dia 30 de agosto, quando a polícia de Tarso, em uma manifestação convocada conjuntamente pelo Bloco, agrediu indígenas que reivindicavam seus territórios legítimos com bombas de gás e balas de borracha, atingindo mulheres e crianças inclusive.

Todo esse processo foi ainda mais agravado após Tarso utilizar imagens de integrantes do Bloco de Lutas em seu programa eleitoral, buscando se apoderar do capital político do Bloco de Lutas, enquanto mandava sua polícia reprimir as manifestações com bombas de gás, balas de borrachas e prisões arbitrárias.

A solução veio com a expulsão dos integrantes que são militantes do PT! Todo esse processo demonstrou claramente que para obter avanços na luta protagonizada pela juventude é necessário ter independência do governo e isso significa se livrar daqueles que são suas correias de transmissão do movimento. Que buscam canalizar a insatisfação para a institucionalidade até que sufoque toda a luta.

Essa experiência deve ser levada ao Conjunto da CSP-Conlutas e da Anel para que a juventude e os trabalhadores sigam avançando em seus processos de luta e de organização, rompendo com os governistas que são correia de transmissão do governo dentro do movimento.

Moção de repúdio às direções Sindbanários – Porto Alegre

Foi com pesar que vimos o nome de uma entidade representativa de trabalhadores e trabalhadoras estamparem as páginas policiais.

O Sindbancários – Porto Alegre, ligado à Contraf/CUT está sendo investigado por um esquema milionário de desvios de verbas indenizatórias de ações judiciais de seus próprios filiados. O esquema segundo a polícia civil é estimado de 3 a 5 milhões de reais, sendo desviados nos últimos 12 anos.

O sindicato era gerido por uma verdadeira quadrilha! Os criminosos davam o golpe ao sacar o dinheiro por meio destes alvarás judiciais, emitindo cheques e realizando transferências para a conta de laranjas ligados à quadrilha. Os valores roubados dos trabalhadores serviram para os dirigentes sindicais adquirir residências, automóveis e fazendas.

O efeito de todo esse escândalo será o afastamento e o descrédito da base na entidade representativa, que acaba fortalecendo o governo e os banqueiros.

Repudiamos todos os dirigentes roubaram o dinheiro dos trabalhadores, assim como os demais diretores que foram omissos durante 12 anos e não denunciaram tal prática para a base da categoria!

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